A morena de curvas provocantes caminhava insinuante. Remexia
hipnoticamente seus quadris perfeitamente desenhados, dentro de um corpete
vermelho de detalhes pretos. As botas de salto alto eram pretas e fetichistas.
Seus cabelos negros cacheados contrastavam com os olhos sombreados, pesada
maquiagem do rosto e batom vermelho sangue brilhoso nos lábios carnudos. Uma
pintinha repousava sobre a bochecha, complementando o visual de mulher da vida
que lhe era próprio.
Ainda que a casa de tolerância emanasse luz vermelha forte, impedindo
ver com clareza, não tardaria para que uma beldade como ela obtivesse seus
primeiros “clientes”. Ainda assim, eram solenemente ignorados os pedido dos
sertanejos que frequentavam aquele prostíbulo à beira de estrada.
Era o terceiro bordel visitado naquela noite e a conversa, sempre a
mesma:
- Ai estou com tanto medo deste tal de Mata Bode! - dizia ela para seus clientes em
potencial, num tom de donzela indefesa.
As respostas, por outro lado, também não mudavam de formato, sendo sempre
algo entre - Fique tranqüila que aqui você tem um macho pra te defender
- e - Pois é, tomara que a CCSaR pegue logo
este bandido!.
Ela já estava desistindo. Parecia que não encontraria nenhuma pista.
Bordéis e espeluncas são excelentes locais para colher informações sobre
bandidos, ainda mais um tão peculiar e violento quanto Mata Bode. Mas
provavelmente ele ficara “entocado” durante o dia que passou, já que ninguém
viu ou soube de nada.
Só que a noite ainda reservava surpresas para a estonteante Lucíola, a
bela prostituta
- Não precisa ter medo - dizia um jovem que a mantinha sentada em seu colo - Eu o
vi esta manhã, próximo a Fazenda do Boi Preto: ele pegou uma moça branquinha.
- Virgem Santíssima! - exclamou Lucíola, fingindo
perfeito espanto
- Foi um horror aquilo! - prosseguia o jovem - O
fedor de carne podre vinha de longe, não sei se dele, se da carroça dele, ou de
ambos, já que a carroça estava totalmente vazia.
- E o que o monstro fez com ela?
- Ele a amarrou e a colocou na carroça. Sabe lá Deus
que maldades sofreu ou sofrerá nas mãos dele esta noite.
O olhar dela era especulativo, mas acobertado pelo semblante de inocência
imperceptivelmente fingida.
- Mas vamos ficar falando disso, ou fazer um ‘amôzinho’ gostoso? – perguntava, lascivo, o jovem.
- Claro que prefiro um ‘amôzinho’, querido - respondeu ela.
Ambos foram para o quarto. Em situações assim, Lucíola somente fazia sexo
e deixava seu cliente vivo.
Mas naquele dia seria diferente. Ela tinha pressa. Não haveria sexo. Mas
haveria morte pela covardia do jovem em ver o Mata Bode sequestrar uma garota e
não fazer nada quanto a isto...

Bacana... =)
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